Este site é o espaço digital do projeto de pesquisa que analisa como os novos arranjos de produção, as transformações dos vínculos laborais e as ameaças trazidas pela automação das notícias impactam o trabalho do correspondente internacional brasileiro.
Aqui entendemos por “correspondente” jornalistas que atuam no exterior, prestando serviços esporádicos e/ou regulares, como freelancer, eventual colaborador, colunista ou repórter empregado.
Nesta primeira fase de estudos, desenvolvida como trabalho de pós-doutoramento no Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), o objetivo é discutir a percepção do correspondente brasileiro sobre a precarização do trabalho e os possíveis impactos desse contexto na qualidade do conteúdo jornalístico.
41 profissionais preencheram o formulário online e outros 16 foram entrevistados. Os resultados estão sendo analisados e, posteriormente, serão publicados no site e em revistas científicas.
Em outra fase, o projeto disponibilizará um censo de correspondentes e freelancers para auxiliar novos pesquisadores em abordagens inovadoras. Os impactos da Inteligência Artificial neste âmbito específico do jornalismo internacional serão discutidos em outra fase da pesquisa. Na última fase, o projeto prevê a aplicação da mesma metodologia, mas com outro recorte: os respondentes serão estrangeiros que atuam como correspondentes no Brasil. Uma bibliografia será permanentemente alimentada com trabalhos que compreendam como os correspondentes atuam e atuaram.
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Pesquisa ouviu correspondentes sobre condições de trabalho
O objetivo foi identificar as percepções de freelancers e de empregados sobre a precarização e seus possíveis impactos na qualidade do conteúdo jornalístico. Os impactos da Inteligência Artificial neste posto específico do jornalismo serão discutidos em outra fase da pesquisa.
Por que pensar na correspondência estrangeira?
O enxugamento das redações em todo o mundo resultou em cortes expressivos na editoria internacional. O posto de correspondente, que durante décadas foi considerado a coroação de uma carreira jornalística, vem passando por várias transformações, sobretudo nas condições de trabalho.
Há décadas, o perfil do reportariado que migrou para o exterior vem mudando. Agora, nos interessa saber como o próprio profissional realiza a leitura de seu processo produtivo e como as imbricações com o fazer jornalístico.
O estudo “O correspondente precarizado: mudanças laborais do repórter brasileiro no exterior” teve até o momento duas etapas.
A primeira incluiu 16 entrevistas com correspondentes e ex-correspondentes, realizadas em períodos diversos, em 2024. 2025 e 2026. A nova etapa foi um questionário online, anonimizado, destinado a jornalistas brasileiros que atualmente residem fora do país e prestam serviços a veículos no Brasil ou a qualquer outra mídia estrangeira. A pesquisa insere-se em uma visão crítica sobre a precarização dos jornalistas, o avanço da pejotização, a drenagem de empregos, o adoecimento mental e a sobrecarga de trabalho.
O formulário ficou disponível entre agosto de 2025 e janeiro de 2026. O estudo é supervisionado pela professora Dra. Roseli Figaro, coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT) da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Conta com apoio institucional da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Maria Eduarda da Costa Santos, jornalista graduada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), foi assistente da pesquisa para tratamento, prospecção e análise de dados.
Maria Esperidião é jornalista, pesquisadora e professora. Foi consultora sobre desinformação e violência online contra jornalistas no Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, na sigla em inglês). Foi curadora do Congresso Internacional da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), onde atuou como gerente executiva. Bolsista do Reuters Institute for the Study of Journalism, desenvolveu uma pesquisa sobre a cobertura internacional da epidemia do Zika. Foi também visitante do programa de produção e roteiro para documentários da Royal Holloway, University of London.
Durante mais de 20 anos, trabalhou na TV Globo, no Recife, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Por 15 anos, foi editora internacional do Jornal Hoje e do Jornal Nacional. Recentemente, voltou à emissora como roteirista em programas de variedade dos Estúdios Globo. Antes de migrar para São Paulo, foi repórter e editora do Jornal do Commercio, no Recife. Também lecionou na Universidade Católica de Pernambuco, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Faculdade Cásper Libero.
Está em período sabático e é pós-doutoranda do Centro de Pesquisa Comunicação e Trabalho (CPCT), da Universidade de São Paulo (USP), com foco na precarização dos correspondentes internacionais.
Professora titular da Universidade de São Paulo, bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq, Nível 2. É coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT). Coordena o projeto temático Fapesp (2023-2028) Datificação da atividade de comunicação e trabalho de arranjos de comunicadores: os embates com as determinações das empresas de plataformas. É membro do Conselho gestor do INCT-DSI/ CNPq. Diretora editorial da Revista Comunicação e Educação. Pesquisadora da equipe Brasil do Observatório Internacional de IA e Trabalho, Universidade de Essex e OIT. Coordenou na USP, convênio com a Universidade de Oxford, para a pesquisa Fairwork Brasil (2022-2023). Presidiu a Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação (COMPOS) 2021-2023. Professora convidada da Celsa – Sorbonne Université (2018). Em 2020 e em 2021, coordenou, no CPCT, a pesquisa Como trabalham os comunicadores em tempos da pandemia da covid-19? Coordenou o Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação da USP de ago 2017 a set. 2021. Foi Diretora de relações internacionais da Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Comunicação Intercom, entre 2017-2020. Professora visitante do Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores de Occidente, ITESO, México. Possui estágio de pesquisa pós-doutoral no CIESPAL (2016) e pós-doutorado pela Universidade Aix-Marseille, França (2007), doutorado(1999) e mestrado (1993) em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo; e graduação em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Casper Líbero (1981). Foi coordenadora do GT Recepção: processos de interpretação, uso e consumo midiático da COMPOS, entre 2015-2018. Chefe do Departamento de Comunicações e Artes (2012-2014/ e 2014-2016). Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Linguagem Verbal, Comunicação e Trabalho e Teorias da Comunicação, atuando principalmente nos seguintes temas: comunicação e mundo do trabalho, comunicação e discurso; comunicação/educação. Tem inúmeros artigos publicados em revistas científicas nacionais e estrangeiras, capítulos de livros e os livros: “Discurso jornalístico e condições de produção em arranjos econômicos alternativos às corporações de mídia” (2021);”As relações de comunicação e as condições de produção no trabalho de jornalistas em arranjos econômicos alternativos às corporações de mídia” (2018), “As mudanças no mundo do trabalho do jornalista de São Paulo” (2013), também traduzido para o espanhol (Los cambios en el mundo del trabajo del periodista) e publicado pela Universidade Autonoma de Barcelona; “Relações de Comunicação no mundo do trabalho” (2008); “Comunicação e Análise do Discurso” (2012); “Comunicação e trabalho. Estudo de recepção: o mundo do trabalho como mediação da comunicação”(2001). Research ID J-8534-2014; orcid.org/0000-0002-9710-904X
Jornalista formada na Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2023 e em Letras, pela mesma instituição, em 2020. Trabalha com redes sociais e cobertura de audiências públicas para o setor de Comunicação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). No âmbito acadêmico, tem se dedicado de forma indireta a pesquisas sobre a correspondência internacional. Foi agraciada com a Láurea Acadêmica, honraria concedida pela UFF aos estudantes de graduação com desempenho excepcional, referente ao ano de 2023, pela monografia “A presença de mulheres jornalistas brasileiras na correspondência de guerra”.